quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Desabafo

Começou mais um ano. Mais um ano em que não estarás presente. Desde que partiste tudo mudou. Mudaram as pessoas, os objectivos, os sentimentos e até de cidade fui obrigada a mudar. Sei que sofrias, era próprio da doença, e até pode ser errado mas preferia ter-te aqui. Aqui do meu lado. Nunca te abandonei. Foram 3 anos sempre junto à ti. 36 meses que te vi lutar contra o cancro. O maldito cancro. Nesse tempo vi-te levantar muitas vezes. E esses eram os momentos de felicidade mais pura. Queria-te aqui para ter a minha vida de volta, ter a minha Lisboa de volta, ter-te a ti de volta para me segurares a mão nos momentos difíceis. Desculpa se não fiz o suficiente. Dei o meu melhor para o melhor pai do mundo. Sinto a tua falta e sempre sentirei até ao dia em que me juntar a ti.  RIP PAI.

2 comentários:

  1. Sei que em tudo que escreves, mesmo nas tuas palavras e imagens "felizes", tu estás a pensar sempre nele. Festejos para ti foram tristes embora tenhas forçosamente esboçado um sorriso. Estranhei não teres vindo cá desabafar mais cedo. Se bem que tantas vezes estamos tão em baixo que nem há forças para o fazer. Nem imagino o quanto se deva ter custado escrever isto, se a mim custou a ler... Não tenho dúvidas, no entanto, que o teu pai tem muito orgulho em ti, na pessoa amável e forte que és e que, certamente, ele quer que o dia em que vós ides novamente estar juntos, demore imenso a acontecer e que até lá tu sejas muito feliz. O teu sorriso será sempre o melhor que lhe podes dar. Adoro-te!

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  2. Querida Andreia. É verdade. Estive para passar aqui antes. Mas faltou a força e faltaram as palavras certas. Estes dias festivos são de união. Mas como festeja-los sem as pessoas que te amam e que tu amas? E foi isso que aconteceu comigo. Não foi festa. Foi tristeza. Porque alguém falta mesa. Porque já não compras algo a pensar nessa pessoa. Cortaram - se tradições. E é triste. Há dias mais ou menos. Mas há dias que são terríveis. Uma verdadeira tortura. Dias que nem apetece sair da cama só para não enfrentar o dia e os problemas. É muito triste Andreia. Viver sem esperança, sem futuro ou caminho à vista. Espero que sejas feliz sempre. Que nunca sofras. Mas ambas nas nossas curtas vidas já passámos por muito.
    Beijinhos
    Obrigada por tudo.
    Também te adoro. E muito.

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